Dia Internacional das Mulheres. A Agência Life se debruçou sobre os números e não viu motivos para comemorar.

A Agência Life pretendia fazer uma campanha para o Dia Internacional das Mulheres que fugisse do óbvio, já que não faria uma homenagem tradicional, que costuma ressaltar características atribuídas ao feminino como sensibilidade, intuição, delicadeza e… beleza. Ao mesmo tempo, sabia que seria preciso, sim, tratar do óbvio: a violência, o desrespeito e o preconceito que assolam as mulheres no mundo patriarcal que vivemos.

Para a campanha, buscamos pesquisas brasileiras que estão disponíveis em uma simples busca pela internet e nos deparamos com o que já sabíamos. Números assustadores de violência física e verbal contra a mulher, feminicídio, assédio sexual e moral, baixa remuneração em relação à força de trabalho masculina, preconceito no espaço de trabalho e em todos os espaços onde a mulher está. Como somos publicitários, lançamos mão também de uma pesquisa recente, encomendada pelo Grupo de Planejamento, de São Paulo, que trata sobre o assédio moral e sexual entre homens e mulheres nas agências de publicidade. O conceito não poderia ser outro: “Dia Internacional das Mulheres. Sem motivos para comemorar”.

A campanha ficou a cargo de duas mulheres que gostariam de dividir com as pessoas, além de dados estatísticos, suas percepções, experiências e seu conhecimento sobre tema. Sem muitas certezas a respeito do nosso cenário futuro, especialmente no país em que vivemos, guardamos pelo menos uma convicção: esses números precisam mudar. Nós acreditamos que, se quisermos contribuir para melhorar os índices a favor das mulheres, precisamos buscar entender alguns equívocos cometidos a todo momento.

Para começar, um equívoco a respeito do feminismo. É importante saber que o feminismo pretende, simplesmente, a igualdade de direitos entre mulheres e homens. Talvez, a palavra mais certa seja equidade. É preciso entender a equidade como a única maneira de mudar a percepção do papel da mulher no mundo. Somente assim será possível combater tanta desigualdade. É bom entender também que feminismo não é femismo. Este, sim, o femismo, prega a superioridade do sexo feminino em relação ao masculino. Agora, inverta os gêneros e você chegará exatamente ao conceito de machismo.

Como todo fenômeno social, o feminismo se subdivide de acordo com os interesses de cada grupo. Deve-se, portanto, presumir-se que cada causa tem a sua razão de existir. Mas, por exemplo, associar o feminismo automaticamente a um posicionamento político é um equívoco que enfraquece a causa. Assim como usar estereótipos para definir as feministas só cria preconceitos e gera ainda mais intolerância e violência.

Saber ouvir e ter empatia.
Ouvir as mulheres, o que elas pensam e o que elas sofrem é um passo para se chegar a outro patamar: o da empatia. Com ela, você não precisa ser mulher e não precisa pertencer exatamente a um determinado grupo para compreender o que acontece. Empatia é o famoso exercício de se colocar no lugar do outro. No nosso caso, da outra.

Abrir mão de privilégios.
Se você perceber que está recebendo algum tipo de concessão, que seja a de ser escutado, simplesmente por ser homem, ou por ser uma mulher pertencente a um grupo privilegiado, tente ceder a sua vantagem. Abra espaço para uma mulher. Questione seus privilégios quando sentir que eles são dados de forma gratuita.

Machismo institucionalizado.
É recorrente uma mulher ouvir de outra, e também dos homens, que ela é machista. Muitas vezes, isso é verdade, pois, sem nos darmos conta, ajudamos a reforçar um mesmo padrão de comportamento que considera natural manter a mulher em uma posição inferior. Quando a mulher diz que o marido a ajuda em casa, por exemplo, ela está assumindo para si toda essa obrigação. Está mantendo o homem exatamente no lugar social em que ele sempre esteve: o de “apenas auxiliar” nas tarefas domésticas e na educação dos filhos. Usando outro exemplo, chegamos com mais clareza ao machismo institucionalizado: imagine que você era um menino que nunca arrumou a cama na casa de seus pais. A sua irmã tinha a obrigação de arrumar a dela, talvez até a sua. A sua irmã, talvez, nunca tenha se dado conta de que essa situação é machista. Isso significa que o machismo está institucionalizado e esse é outro conceito que você pode e deve aprender.

Com informação, consciência e, principalmente, com força e vontade para ver a mudança acontecer, podemos chegar lá. Pare, escute, reflita sobre como você pode fazer a sua parte por um mundo mais justo e igualitário para as mulheres. Aí, talvez possamos comemorar o Dia Internacional das Mulheres.

ESCRITO POR

Agência Life

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